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GUERRA UCRANIA

(GUERRA UCRANIA) RECENSÃO CRÍTICA: “LA GUERRA DE UCRANIA” – JOSÉ PARDO DE SANTAYANA

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RECENSÃO CRÍTICA: “LA GUERRA DE UCRANIA” – JOSÉ PARDO DE SANTAYANA

Aleksandr Ilin

INTRODUÇÃO

Qualquer que seja o resultado do conflito entre a Ucrânia e a Federação Russa, este não será um bom agoiro para o Sistema Internacional. No artigo “La guerra de Ucrania” José Pardo de Santayana, reflete sobre a complexidade estratégica e as implicações que este conflito provoca nos intervenientes e no Sistema Internacional.

Ao longo dos 8 capítulos que compõem a obra, o autor discorre sobre as posições que cada parte advoga para justificar a justeza das suas ações. Por um lado, a Rússia, reconhece na Ucrânia uma importância existencial e por isso interpreta o alargamento da NATO como uma ameaça. Por outro lado, o Ocidente, é defensor da vontade soberana da Ucrânia em aliar-se ao seu bloco. Estes dois entendimentos sobre o significado da Ucrânia levaram à cisão entre os dois blocos políticos que irão moldar a futura arquitetura de segurança do Sistema

Internacional, entenda-se Rússia e China contra União Europeia e EUA.

Sendo este artigo fruto de uma publicação do IEEE[1] que se dedica “a la conformación de un pensamiento estratégico español” (IEEE, IEEE – PUBLICACIONES, 2010) sobre questões do interesse de “Seguridad y Defensa” (IEEE, 2023) para o conjunto da sociedade espanhola, o autor tem, portanto, um objetivo duplo: expor estes temas à comunidade e academia nacional e internacional. Neste artigo, Santayana mapeia o conflito com recurso à

fontes maioritariamente da academia anglófona[2]. Uma vez, confrontada a bibliografia citada pelo autor e a que, entretanto, foi produzida no âmbito da temática em questão, não se verifica um contributo significante por parte do autor para a área de estudos em questão, a não ser o caráter escorreito da exposição aconselhável para uma pesquisa exploratória, logo não se pode considerar a investigação elaborada como indispensável, dada a existência de obras mais completas sobre o assunto[3].

POSICIONAMENTO TEÓRICO-METODOLÓGICO DO AUTOR:

O autor não identifica explicitamente o modelo metodológico a ser utilizado no âmbito da sua investigação, pois a investigação carece de definição de um problema concreto a ser explorado, da elaboração de uma hipótese para solucionar o problema em questão e por fim carece da verificação da aplicabilidade da hipótese proposta para solucionar o problema anteriormente definido (Laville, 1999). Constata-se ainda a ausência de um quadro teórico conceptual por parte do autor na sua análise, não recorrendo de forma explicita ao uso de qualquer teoria das relações internacionais para explicar as dinâmicas observadas.

O trabalho elaborado pelo autor no âmbito da presente investigação científica centra-se numa mera revisão da literatura já existente acerca da temática em questão, em articulação com a descrição dos acontecimentos em causa sob uma perspetiva histórica. A ausência de um posicionamento teórico-metodológico por parte do autor, deve-se sobretudo ao carácter da revista na qual o capítulo é publicado, pois segundo a informação disponibilizada no próprio site do Instituto Espanhol de Estudos Estratégicos, a revista em causa, visa o esclarecimento das origens, causas e possíveis desenvolvimentos de cada conflito analisado (IEEE, Panorama Geopolítico de los Conflictos 2022, 2010).

No que concerne ao recurso as fontes bibliográficas por parte do autor são contabilizadas 38 referencias bibliográficas no total da produção da investigação científica em causa. O autor recorre ao uso pertinente não apenas de fontes bibliográficas de carácter primário como declarações e relatórios oficiais, como também a fontes bibliográficas secundárias como artigos científicos e livros relacionados com a temática em questão. Um bom exemplo da exploração

apropriada por parte do autor da bibliografia relacionada com o objeto de estudo da investigação científica em causa, pode ser evidenciado aquando da utilização do texto de Juanjo Fernández no qual são exibidas as causas da fraca presença por parte da aviação russa no conflito relacionada com o contexto tecnológico desfavorável e a preservação por parte da Ucrânia das suas capacidades antiaéreas (Fernandez, 2022).

ANALISE CRÍTICA DA DESCRIÇÃO DO DESENROLAR DOS ACONTECIMENTOS NO TEATRO DE OPERAÇÕES DO CONFLITO ARMADO ENTRE FEVEREIRO E SETEMBRO DE 2022

O foco de análise da presente recensão critica recai sobre a descrição do desenrolar sequencial dos acontecimentos no teatro de operações do conflito armado entre fevereiro e setembro de 2022, em articulação com os elementos lecionados no âmbito da unidade curricular de Geoestratégia e Recursos. O autor divide a análise do desenrolar do conflito armado em 3 fases, prosseguindo com a descrição do desenrolar das operações desde dia 24 de fevereiro até ao momento da redação da sua investigação científica, incorporando de forma parcial alguns dos conceitos fundamentais subjacentes a área de estudos de geoestratégia e de polemologia. De destaque relevante consideram-se os 6 pontos seguintes:

1 – A identificação por parte do autor dos objetivos estratégicos da operação especial militar da Federação Russa, porém, ao mesmo tempo a imprecisão da referência na forma como Kiev seria conquistado numa lógica de blitzkrieg análoga às operações de Praga e Afeganistão, na medida em que não recorre a fontes bibliográficas já existentes para explicitar de que forma concreta as forças

armadas Russas iriam atuar no plano tático, deixando dessa forma escapar um pormenor de extrema importância, nomeadamente a tentativa falhada da tomada do aeroporto de Hostomel por parte das forças de russas nas primeiras horas da ofensiva, sendo a infraestrutura em causa de extrema importância estratégica, pois permitiria um posterior desembarque quer de unidades militares, quer de equipamento militar russo de forma a facilitar o cerco e a tomada da capital ucraniana (Clark, Barros, & Stepanenko, 2023).

2 – Ainda no âmbito das considerações estratégicas e táticas da ofensiva russa, o autor referencia a ação de uma quinta coluna pró-russa que no início da operação militar executaria as suas ações desde interior do território ucraniano, deixando dessa o forma o leitor completamente a deriva no que diz respeito a compreensão da proveniência, natureza e funções da referida quinta coluna pró-russa, não identificando se a unidade militar em causa se caracteriza como uma unidade militar russa infiltrada no território ucraniano e se sim como tal seria possível, ou se a unidade militar em causa se caracteriza como uma unidade partidária (partisans) dentro do seio das forças armadas ucranianas.

3 – A referência fundamental por parte do autor no que diz respeito distinção entre o nível estratégico e o nível tático do conjunto de 150.000 soldados das forças armadas empregues pela Federação Russa aquando do começo da sua ofensiva, na medida em que se destaca a formação de 7 divisões militares correspondentes ao nível estratégico caracterizadas justamente pela articulação e coordenação o uso de todos os recursos que possam ser meios de coação (Correia, 2020), subjugando a si um conjunto de 120 grupos táticos para a condução da ação de combate no imediato e no pormenor (Correia, 2020).

4 – A alteração da terminologia empregue no que diz respeito a classificação empírica da situação de conflito/crise existente entre os dois Estados em questão no antes e pós dia 24 de fevereiro de 2022 por parte do autor pode ser evidenciada no decorrer de todo o texto, utilizando várias vezes a referência ao “conflito armado no Donbass” (Santanaya, 2022, p. 22) antes do dia 24 de fevereiro de 2022 e a “guerra da Ucrânia” pós dia 24 de fevereiro (Santanaya, 2022, p. 27),

porem neste âmbito, evidencia-se a precariedade de rigor cientifico por parte do autor, na medida em que desconsidera uma abordagem cientificamente rigorosa combinada com o emprego explicito de elementos relativos à classificação do conflito em questão próprios da área de estudos de geoestratégia como:

  • O grau de conflito existente entre os dois estados antes e pós 24 de fevereiro de 2022[4] (Correia, 2020).
  • Os tipos de guerra existentes, definidos por vários autores como Aron, Hungtinton, Cabral Couto ou Loureiro dos Santos (Correia, 2020).
  • Elementos da estratégia aplicada, nomeadamente, a atitude de um determinado agente, em especial da Federação Russa que a partir do dia 24 de fevereiro de 2022 passou a privilegiar uma atitude ofensiva que compreende “modificar uma ordem existente substituindo-a por outra mais favorável aos objetivos definidos” (Correia, 2020) e ainda a natureza dos meios de coação a serem utilizados pela Federação Russa no antes e pós 24 de fevereiro, que sofreram uma alteração, passando do exercício de meios de coação indireta para meios de coação manifestamente direta (Correia, 2020).
  • As diferentes teorias religiosa, biológica e sociológica que se constituem como as possíveis causas que levaram ao desenrolar da Guerra entre os dois Estados em questão, descritas por Cabral Couto (Couto, 1987).

5 – A enumeração fundamental das contribuições por parte da União Europeia, Estados Unidos da América e dos seus aliados para o esforço de guerra no âmbito do conflito armado em análise, nomeadamente; a disponibilização de armamento militar ao exército ucraniano, campanhas de treino das unidades militares ucranianas e fornecimento de informações por via dos serviços de informação norte americanos para destruir os alvos militares russos, é utilizada pelo autor mesmo que de forma implícita visando proporcionar ao leitor o contacto quer com o conceito de guerra indireta aprofundado por Liddell Hart,

que assenta no princípio de vencer sem combater, ter sucesso através de outros meios de coação que não a violência (Correia, 2020), na medida em que possibilita uma interpretação de uma eventual guerra por procuração por parte dos Estados Unidos da América relativamente a Federação Russa utilizando o Estado ucraniano como ferramenta para tal, quer com o conceito de coação indireta exercida por parte dos atores anteriormente enumerados em oposição a Federação Russa que consiste no emprego de meios de coação por meios predominantemente não militares exercida por agentes indiretos, recorrendo ou beneficiando de estratégias diretas de terceiros (Correia, 2020).

6- A articulação do facto da colocação por parte da Federação Russa das forças nucleares em alerta máximo, como resposta as sanções ocidentais e como garantia da não interferência militar direta da NATO e dos Estados Unidos América no conflito com o condicionamento que a atitude em causa representa para as ações de Washington e a posterior ameaça de um possível conflito nuclear, pressupunha uma abordagem de carácter mais detalhado por parte do autor neste domínio, nomeadamente a referência as situações nucleares possíveis entre as potências nucleares e se a ação acima descrita produziu alterações na situação nuclear existente entre a Federação Russa e os Estados Unidos da América (Correia, 2020).

ARTICULAÇÃO DO CAPÍTULO COM A TEORIA DO PODER TERRESTRE:

São vários os autores[5] e contribuintes da ideia de que uma expansão para Leste resultaria necessariamente numa disputa de poder. O seu principal promotor e fundador é o geopolítico Mackinder[6] com base na sua Teoria do Poder Terreste, este identifica a massa continental euroasiática[7]heartland[8] – como o centro da luta política pelo poder mundial. Nas suas obras, tentava compreender através da geografia, uma causalidade geográfica para os fenómenos políticos[9] (Correia, 2020).

Realça, por isso, uma análise geo-histórica dos acontecimentos, mas com um objetivo geopolítico pois, no limite, tem uma preocupação com o poder (idem).[10][11] Santayana, parece não discordar desta assunção, mas apenas associa as ambições geopolíticas ao lado russo, dando a impressão dos Estados Unidos da América despretensiosos e humanistas. Enquanto, Mackinder desenvolve a sua teoria incluindo todos os atores políticos com capacidade de contestar o poder mundial, acabando com os inocentes[12].

Apesar das adaptações realizadas entre as várias fases da sua teoria ao contexto político da época, toda a teorização que se desenrola assume vários pressupostos que têm por base o heartland. Na qual determina que:

“Who rules East Europe commands the Heartland:

Who rules the Heartland commands the World-Island:

Who rules the World-Island commands the World.” (Mackinder, 1919, p. 186)

Apesar da, agora, Federação Russa deter o heartland, os atores que representam o Crescente Marginal conseguiram garantir a hegemonia do poder mundial por terem sido beneficiados pelo avanço tecnológico naval, que lhes permitiu a flexibilidade e mobilidade estratégica necessária para conter as potências vindas do heartland.

Uma vez que é inacessível ao poder marítimo, tanto a norte como a sul[13] e não permitindo a sua penetração, a sua única abertura de expansão natural está na planície da Europa Central. Ora durante a 2ª Guerra Mundial, a URSS[14] encontrou a Alemanha Nazi como ameaça ao ocidente. Atualmente, pela mesma ordem de ideias, esta ameaça é personificada pela NATO[15] juntamente com a União Europeia, que ainda não conseguiram submeter ao seu domínio o poder mundial.

Ao mesmo tempo, para a aliança ocidental a mesma ameaça pode verificar-se, pois uma expansão russa no sentido do Atlântico poderia resultar na concretização do poder mundial pelo heartland. E, por isso, Mackinder recomenda que a Rússia seja impedida de aceder aos mares (no caso o mar negro) para não conseguir desafiar a comunicação das linhas costeiras que o Crescente Marginal desenvolveu. Assim como, impedir uma aliança com a China que já tem um longo acesso aos mares. Acima de tudo, deveria mantê-la dividida e pequena.

Seguindo a lógica de Mackinder, o despoletar da disputa ocorre com a violação da zona-tampão que seria o suporte em que se ancorava o entendimento de manter a estabilidade e evitar conflitos entre grandes potências, impedindo a sua expansão. Baseando-se na noção de que a existência de uma região neutra ou controlada entre potências pode ajudar a atenuar as tensões e reduzir o risco de confronto direto (Dueck, 2023).

BIBLIOGRAFIA

Grumel Jacquignon, F. ( 2018). Géopolitique passée et présente de l’Ukraine : le poids de la géohistoire sur l’Ukraine. Paris: Saint-Denis : Connaissances et savoirs.

Clark, M., Barros, G., & Stepanenko, K. (2023). Russia-Ukraine Warning Update: Initial Russian Offensive Campaign Assessment. Obtido em maio de 2023, de Institute for the Study of War: https://www.understandingwar.org/sites/default/files/Initial%20Russian%20Offensive%20Campaign%20Assessment.pdf

Correia, P. (2020). Manual de geopolítica e geoestratégia. Lisboa: Edições 70.

Couto, F. (1987). A Paz, a Guerra e o Direito Internacional . Revista Nação e Defesa, 13-19.

Dueck, C. (2023). Mackinder’s Nightmare: Part One. Obtido em junho de 2023, de Foreign Policy Research Institute: https://www.fpri.org/article/2019/10/mackinders-nightmare-part-one/

Fernandez, J. (4 de Setembro de 2022). La gran sorpresa de la guerra: por que la aviacion rusa sigue inoperativa medio año despues. El Confidencial.

IEEE. (2010). IEEE – PUBLICACIONES. Obtido em junho de 2023, de Instituto Español de Estudios Estratégicos: https://www.ieee.es

IEEE. (2010). Panorama Geopolítico de los Conflictos 2022. Obtido em maio de 2023, de Instituto Español de Estudios Estratégicos: https://www.ieee.es/publicaciones-new/panorama-geopolitico-de-los-conflictos/2022/PGC2022.html

IEEE. (2023). Seguridad y Defensa – IEEE. Obtido em junho de 2023, de Instituto Español de Estudios Estratégicos: https://www.defensa.gob.es/ceseden/ieee/temas/seguridad_defensa/

Kaplan, R. (2012). The Revenge of Geography. New York: Random House, Inc.

Laville, C. (1999). A construfao do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciencias humanas. Belo Horizonte: UFMQ.

Mackinder, H. (1919). DEMOCRATIC IDEALS AND REALITY. NEW YORK: HENRY HOLT AND COMPANY.

Santanaya, J. (dezembro de 2022). La guerra de Ucrania. Panorama geopolítico de los conflictos 2022, pp. 17 – 46.


[1] Instituto Español de Estudios Estratégicos

[2] Na bibliografia citada, encontram-se nomes como Mearsheimer, Brzezinski, Thomas Graham, entre outros, assim como autores espanhóis e outras nacionalidades, mas com menos expressão.

[3] Por exemplo, “Géopolitique passée et présente de l’Ukraine: le poids de la géohistoire sur l’Ukraine” é mais profunda na análise geo-histórica, dando importância à sua localização geográfica estratégica e o seu legado da União Soviética. Enfatiza, também, que as relações complexas com a Rússia e as aspirações europeias desempenham um papel central no futuro da geopolítica da Ucrânia. Enquanto, Santayana não vislumbra relação possível com o vizinho russo. ( Grumel Jacquignon, 2018)

[4] De acordo com tipificação de Pezarat Correia constata-se a existência de 4 tipos de conflito: não guerra, violência sem guerra, guerra sem violência e a guerra violenta, sendo que a definição do conflito no antes 24 de fevereiro de 2022 se encaixaria na violência sem guerra e a guerra violenta caracterizaria o conflito no pós 24 de fevereiro de 2022.

[5] Por exemplo,” Prisioneiros da Geografia” de Tim Marshall alerta que a Rússia à semelhança do que fez com a Crimeia, iria defender a os seus interesses com o argumento da russofonia étnica.

[6] O alvo da obra de Mackinder é o governo britânico, estando, naturalmente, presente a preocupação do interesse do império e das ameaças ao mesmo.

[7] Inicialmente, divide o mundo em duas partes: Ilha-mundial (Europa, Ásia e África) e as Outter Islands (Américas, Australásia e as ilhas costeiras da Eurásia e de África). Mais tarde, é que divide o supercontinente em 2, o heartland + southern-heartland (africa subsaariana) e o Rimland ou Crescente Marginal (correspondendo à Península Arábica, Europa Ocidental, Índia e Ásia Oriental).

[8] Só em 1919 é que o autor lhe atribui esta designação, nesta recensão não se considera o termo zona-pivô que teria sido usado inicialmente na obra: “The Geographical Pivot of History”. O heartland passa a ser um espaço menos extenso que a zona-pivô, mas com maior importância geopolítica.

[9] Mackinder, também realça o favorecimento que a tecnologia proporcionou às potências terrestres (em detrimento do poder marítimo). O que consequentemente ameaçaria o controlo de recursos do império marítimo britânico, indo mais longe, argumentando que a potência terreste que dominasse a zona pivô tinha melhores possibilidades para adquirir poder marítimo do que o contrário. (Correia, 2020)

[10] Negando um determinismo geográfico, o autor, reconhece a existência de agência humana no decurso da história, mas no final das contas a natureza sobrepõe-se: “The greater control which man now wields is conditional, and not absolute like the control of nature over man by famine and pestilence.” (Mackinder, 1919, p. 12)

[11] Ora, segundo o autor, quem controlar o heartland detém os fatores capitais, que são: a centralidade da posição geográfica, a vastidão dos recursos naturais e a dimensão populacional.

[12] Como se constata com a sua evidência de que o mundo já estava totalmente dominado e não haveria mais nada para conquistar. Apesar disso, Mackinder acreditava nos valores dos Britânicos, como explica Kaplan: “Mackinder deep down was a liberal, or at least became one. He imagined the British Commonwealth as becoming an association of cultures and peoples, different but equal; and he believed that a league of democracies would be the best defense against an imperial superpower in the heart of Eurasia (thus foreseeing NATO’s struggle against the Soviet Union).” (Kaplan, 2012)

[13] Pelo oceano gelado do Ártico, a norte, e pelas cordilheiras e pelos desertos, a sul, e, também, os rios desaguam no interior ou no ártico, não sendo favoráveis.

[14] União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

[15] Organização do Tratado do Atlântico Norte

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