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(CHEGA) VENTURA E A CAUSA AMBIENTAL

Se me perguntassem se o Chega tem uma posição clara sobre a questão ambiental, eu diria que a resposta é bem, complicada. O Chega, não costuma ser associado ao ativismo ambiental. A questão ambiental parece ser uma assunto secundário para o partido, mais como uma espécie de nota de rodapé nas propostas mais amplas.

Ao analisar as declarações do líder do Chega, André Ventura, raramente será encontrada alguma coisa que nos faça pensar em árvores, mares limpos ou energias renováveis. Normalmente, a retórica do partido está mais focada em questões de segurança, nacionalismo e, claro, imigração. Parece que a ecologia não é uma prioridade para o partido, como se fosse algo meio exótico, fora da linha de pensamento deles.

No entanto, e para sermos justos, houve algumas tentativas do Chega de abordar a questão ambiental. Mas não esperes soluções muito inovadoras ou detalhadas. Sabe quando alguém te fala sobre uma questão complexa, mas só dá umas pinceladas de leve? É mais ou menos isso. Os pontos que o partido de Ventura discute, quando discute, tendem a ser generalidades sobre a importância de cuidar do ambiente e de Portugal ser um país limpo. Bem, é difícil discordar, mas também não é exactamente uma estratégia concreta.

Agora, se falares de propostas concretas, vais perceber que é mais complicado ainda. Parece que a ideia do Chega é de que o ambientalismo como causa é uma espécie de luxo para países que já resolveram todos os outros problemas. Eles parecem pensar que Portugal tem outras prioridades antes de se preocupar com o ambiente. Não é como se estivessem a dizer que a poluição é boa, mas a prioridade está longe disso.

E quando falamos de propostas concretas, sabes o que é curioso? Elas estão normalmente ligadas a outros temas do partido. Por exemplo, há uma certa crítica ao que eles chamam de “ambientalismo radical”, aquele que, segundo eles, paralisa a economia e põe em risco empregos. Pode parecer um discurso meio “old school”, como se o ambiente fosse uma barreira para o progresso económico.

Daí vem a minha opinião: se o Chega não for mais específico sobre as suas propostas ambientais, fica difícil levar a sério o discurso deles. Não é o suficiente dizer que se preocupa com o ambiente se não ha um plano detalhado para isso. A questão ambiental é complexa e precisa de soluções bem pensadas, não apenas slogans ou críticas vagas a movimentos ambientalistas. Se o Chega quer ser parte do debate sobre o futuro do planeta, tem de trazer algo mais sólido para a mesa.

Agora, o que me preocupa mais é que, ao desconsiderar ou subestimar a importância da questão ambiental, o Chega corre o risco de parecer antiquado. O mundo está a mudar, e a consciência ambiental está a crescer entre as pessoas. Se o Chega continuar a ignorar ou a tratar a questão de forma superficial, vai acabar por alienar uma parte significativa da população que vê a sustentabilidade como uma prioridade.

EXEMPLOS

Os incêndios florestais na Austrália em 2019 e 2020 foram devastadores. Foram apelidados de “Black Summer” e não é à toa. As chamas queimaram mais de 18 milhões de hectares, uma área maior do que Portugal inteiro. Famílias tiveram que fugir das suas casas, comunidades inteiras ficaram em ruínas, e a vida selvagem sofreu um golpe tremendo. Estamos a falar de milhares de milhões de animais mortos ou feridos. E, claro, há o impacto climático: tanto CO₂ lançado na atmosfera que parecia um pesadelo. Estes incêndios mostraram o que acontece quando a questão ambiental é tratada como algo secundário.

Depois, tem o desastre na Amazónia, aquele que as notícias adoram chamar de “pulmão do mundo” a arder. Os incêndios na floresta tiveram consequências desastrosas não só para a biodiversidade, mas também para as comunidades indígenas que dependem da floresta para viver. O mais inquietante é que isto não é um desastre natural, mas sim resultado da falta de uma política ambiental rigorosa e da tolerância ao desmatamento ilegal. É como se alguém estivesse a destruir um tesouro natural bem diante dos nossos olhos, e não fizéssemos nada para impedir.

Alguem lembra-se do derrame de petróleo no Golfo do México em 2010, conhecido como o desastre da Deepwater Horizon? Ok, já lá vão alguns anos, mas a verdade é que o impacto ambiental ainda é sentido. Milhões de barris de petróleo derramados no oceano, poluiram praias, mataram aves marinhas e afetaram toda uma cadeia alimentar. Os pescadores locais sofreram imenso com isto, e ainda hoje há zonas no golfo onde a vida marinha luta para recuperar. Este desastre mostrou como uma única falha numa política ambiental fraca ou mal executada pode ter consequências catastróficas.

Estes exemplos são só uma amostra do que acontece quando a questão ambiental é negligenciada ou tratada como algo sem importância. A mensagem é clara: sem uma política ambiental sólida e responsável, estamos a abrir portas para desastres que podem mudar a vida de milhões de pessoas. Portanto, quando falamos da importância de uma postura responsável em matéria de política ambiental, estes desastres devem servir como um alerta. É por isso que é vital que os partidos políticos, como o Chega, assumam uma postura clara e proativa quando se trata de proteger o ambiente.

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