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(CHEGA!) CHEGA E VENTURA SOBRE A RELIGIÃO

Uma coisa que se destaca no discurso do Chega é a referência à tradição judaico-cristã. O partido enfatiza os valores tradicionais, e isso inclui a moralidade e a ética associadas ao cristianismo. Para o Chega, estas tradições são fundamentais para a identidade portuguesa e europeia. Aliás, o líder do partido, André Ventura, referiu várias vezes a importância de preservar esses valores numa sociedade que está cada vez mais secularizada.

Para o Chega, a tradição judaico-cristã não é apenas um aspeto religioso, mas também uma base cultural e moral. O partido defende que muitos dos problemas que a sociedade enfrenta, como a degradação dos valores familiares ou o aumento da criminalidade, podem ser atribuídos ao afastamento das raízes cristãs. Portanto, é natural que o Chega tenha um discurso mais conservador quando se trata de questões religiosas.

O Estado Laico

Mas não se engane. Apesar desta ênfase nos valores cristãos, o Chega não defende que o Estado deva ser religioso ou que haja uma fusão entre religião e governo. A ideia de um Estado laico ainda é respeitada, e o Chega não propõe mudanças à constituição para tornar Portugal um Estado religioso.

O que o Chega defende é uma presença mais visível da religião na esfera pública. Para o Chega, não há problema em ter símbolos religiosos em espaços públicos ou em eventos oficiais. Eles veem isso como uma parte da identidade cultural de Portugal. Por exemplo, se olhares para as cerimónias oficiais ou os feriados nacionais, há sempre alguma ligação com a religião. O Chega quer manter essa ligação e, em alguns casos, até reforçá-la.

O Islão e Outras Religiões

Outro ponto a considerar é a atitude do Chega em relação a outras religiões, especialmente o Islão. O partido tem sido bastante crítico em relação ao crescimento do Islão na Europa e em Portugal. Eles vêem isso como uma ameaça aos valores ocidentais e cristãos. O discurso do Chega sobre este tema pode ser controverso, porque algumas pessoas acham que é discriminatório ou islamofóbico.

André Ventura, por exemplo, já expressou preocupações sobre a influência do Islão na sociedade europeia e sobre a imigração de países de maioria muçulmana. Ventura defende que a Europa deve proteger as suas raízes cristãs e resistir à islamização. Esta postura tem ganho apoio entre aqueles que se sentem ameaçados pela imigração e pela mudança cultural, mas também tem gerado críticas de quem vê nisso uma forma de intolerância religiosa.

Ventura já disse publicamente que a Europa deve proteger as suas raízes cristãs e que o Islão representa uma ameaça à cultura ocidental. Estes comentários geraram reações negativas, principalmente de grupos que defendem a diversidade religiosa e a tolerância. Muitos acusaram o Chega de promover a islamofobia e o discurso de ódio. Os críticos do partido argumentam que tais declarações alimentam a discriminação e o preconceito contra muçulmanos e outras minorias religiosas.

Igreja Católica

O Chega também tem uma relação próxima com a Igreja Católica. Embora não seja uma ligação formal, o partido mostra respeito pela Igreja e pelos seus valores. O próprio André Ventura, que tem um passado como comentarista de futebol e advogado, já referiu em várias ocasiões a sua fé católica e o respeito pelos ensinamentos da Igreja.

Isto traduz-se em algumas posições políticas do Chega, como a oposição ao aborto e à eutanásia. O partido defende uma posição mais conservadora nestas questões, alinhada com a doutrina da Igreja Católica. No entanto, é importante notar que o Chega não propõe impor a religião às pessoas, mas sim defender valores tradicionais e morais que consideram essenciais para a sociedade.

Mesmo dentro da comunidade católica, que é tradicionalmente conservadora, houve casos em que o Chega gerou controvérsia. Por exemplo, houve situações em que Ventura usou símbolos religiosos ou expressões religiosas para promover as suas ideias políticas. Houve quem interpretasse isso como uma tentativa de instrumentalizar a religião para fins políticos, o que não caiu bem com todos na Igreja.

Para além disso, a posição do Chega sobre as questões sociais como o aborto e a eutanásia é bastante próxima da doutrina da Igreja Católica, mas, mesmo assim, algumas figuras religiosas têm mostrado um desconforto com a retórica do partido, especialmente quando esta é mais agressiva.

Faz Sentido?

Para muitos apoiantes do Chega, esta ligação com a religião é um ponto forte. Muita gente em Portugal ainda se identifica com o catolicismo ou pelo menos com os valores cristãos.

Mas será que é sensato continuar com esta bandeira? É aqui que as coisas ficam interessantes. Por um lado, é compreensível que o Chega queira manter uma ligação com valores religiosos, porque isso tem uma ressonância emocional com muitas pessoas. É uma espécie de garantia de que não vão perder o seu sentido de comunidade e de moralidade num mundo em mudança. Até aqui, tudo bem.

Por outro lado, há alguns problemas que podem surgir quando um partido tem a religião como uma das suas bandeiras principais. Primeiro, pode dar a ideia de que estão a favorecer uma religião em detrimento de outras, o que pode ser complicado num Estado laico como Portugal. A Constituição é clara ao separar a religião do Estado, e quando um partido começa a misturar as coisas, isso pode ser problemático, mesmo que esse partido não represente o poder executivo em Portugal de facto.

Para além disso, existe o risco de alienar pessoas que não partilham da mesma fé ou que simplesmente preferem uma abordagem mais secular. Se um partido é visto como sendo muito religioso, pode afastar uma parte do eleitorado que acredita numa sociedade mais laica. E isso é um problema porque, no final do dia, os partidos precisam de apelar a uma ampla gama de pessoas para serem bem-sucedidos.

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