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A LÍNGUA PORTUGUESA NA POLÍTICA EXTERNA DO ESTADO PORTUGUÊS

língua portuguesa

A língua portuguesa é considerada o nosso tesouro cultural e linguístico e não se limita apenas às fronteiras de Portugal. Ela espalha-se pelo mundo como uma ferramenta da política externa, carregando consigo influências sociais, culturais, econômicas e diplomáticas.

A CPLP: A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
Um exemplo concreto e poderoso da utilização política da língua portuguesa é a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Fundada em 1996, a CPLP tem como objetivo promover a cooperação e a aproximação entre os países lusófonos, explorando a língua portuguesa como um elemento central dessa união. Através dessa organização, Portugal procura fortalecer seus laços com outras nações que compartilham a língua, criando uma plataforma capaz de atuar a medio e longo prazo no domínio diplomático visando influenciar política do Estado em questão.

O Instituto Camões: Difusão Cultural e Linguística
Outro exemplo importante pode ser considerado o Instituto Camões, que se identifica como uma instituição governamental portuguesa responsável pela promoção da língua e cultura portuguesas no exterior. O Instituto Camões atua como uma ponte entre Portugal e os países de língua portuguesa, promovendo o ensino da língua, a tradução de obras literárias e a divulgação cultural. Esta estratégia visa não apenas o fortalecimento dos laços linguísticos, mas também o estabelecer de uma presença cultural e diplomática no contexto internacional.

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O Poder Econômico da Língua Portuguesa
Além do aspeto cultural, a língua portuguesa também desempenha um papel importante no domínio econômico. O potencial econômico dos países que falam português, como Brasil e Angola, atrai a atenção de investidores e abre portas para acordos determinados comerciais. A língua portuguesa, neste contexto, é vista como uma ferramenta de acesso a mercados em expansão, bem como uma vantagem competitiva de valor para Portugal na procura por oportunidades econômicas internacionais.

Exemplos de estratégias de política linguística pouco coerentes por parte do Estado português:

Um exemplo curioso é o Festival Eurovisão da Canção, onde os países que falam português têm a opção de escolher o inglês como língua de participação. Essa decisão muitas vezes é tomada com o objetivo de alcançar uma maior audiência e obter votos de outros países europeus. Esta escolha, embora questionável do ponto de vista estratégico para o beneficio do Estado português, reflete a procura por uma projeção cultural e linguística além das fronteiras lusófonas, com recurso a utilização da língua internacional: o inglês.

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Outro exemplo caricato ocorreu em 2006, quando a cimeira de chefes de Estado da CPLP foi realizada em São Tomé e Príncipe. Durante a conferência, o português foi substituído pelo inglês como língua de trabalho, evidenciando a dificuldade de comunicação entre os países membros. Esse episódio contraditório ilustra a importância da língua portuguesa como uma ferramenta política, mas também destaca as barreiras e desafios que ainda existem na sua utilização efetiva.

Caro leitor, a língua portuguesa estende-se muito além das fronteiras de Portugal, sendo utilizada como uma arma política na arena internacional. Através da CPLP, do Instituto Camões e de estratégias diplomáticas, Portugal procura fortalecer os seus laços com países lusófonos, promover sua cultura e língua, bem como expandir suas oportunidades econômicas. No entanto, é fundamental avaliar criticamente estas abordagens, considerando os detalhes e desafios envolvidos na política linguística.

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A língua portuguesa é uma riqueza a ser valorizada, mas também é importante questionar se a sua utilização como ferramenta política deve ser a única prioridade. Devemos assegurar que esta influência linguística seja acompanhada de esforços para promover a diversidade cultural, a igualdade linguística e o respeito à autonomia dos países de língua portuguesa. Que possamos procurar o poder da língua portuguesa de forma responsável, ao procurar sempre a cooperação, o diálogo e o respeito mútuo entre as nações lusófonas.